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A minha jornada Parte V

A minha jornada Parte V

24/08/2009 23:20

Bem-vindo ao flog onde as respostas renascem das cinzas...











...Se você está aqui e ainda não leu os últimos quatro episódios da “Minha jornada”, recomendo que volte e leia um por um, isso ajudará a entender este!




9:59PM
Isso não é um episódio, isso não é uma explicação, não é um texto qualquer, não é uma maluquice de baixa complexidade, isso não é apenas mais um desabafo da jornada. Isso é uma busca, uma doença, uma luta. Poucos entendem. Para eles é diversão, exposição, passatempo. Não, que droga, eles usam a si mesmos como parâmetro para me julgar. Merda, minha cabeça é diferente, completamente diferente da cabeça deles!
Eu não brinco no treino!
Claro, todos irão me julgar por essa afirmação, assim como devem me julgar por meus atos! Quais atos? Comigo acontece diferente...

Treino de verdade há um ano e dois meses. Porém, faz 11 meses que passei a levar o treino realmente a sério. Mas como dizer o que é “levar o treino realmente a sério”? Eu estava deprimido por ter abandonado um futuro promissor dentro de uma merda de academia militar. Meu treino passou a ser levado a sério à medida que meu conflito interno piorava. Fora da academia eu era apenas mais um otário frustrado que o mundo produziu. Mas lá dentro, entre aquelas anilhas, sentindo o gelado da barra, sentindo a pegada áspera dos halteres, com os sentidos atentos para tudo, ali eu me tornava bicho, sem problemas com o mundo, com o passado frustrado, com o presente frustrante e com o futuro perdido. Nada disso me importava. Os treinos passaram a ser minha vida, comecei a pesquisar sobre o assunto, passei a me testar, conheci as palavras do mestre Arnold, Mentzer e Mcgrath. Foi então que percebi que o treino era algo muito mais psicológico do que físico. Foi quando fiquei maravilhado ao notar que levantar pesos era um treinamento da mente e não do corpo. Então comprovei a teoria vi que somos capazes de levantar o quanto quisermos. O risco era o que atraia, a possibilidade daquela barra cair sobre meu peito e até me matar era algo que tornava tudo mais instintivo, questão de sobrevivência, levantar o peso ou morrer, esse era o dilema voluntariamente proposto.
Eu sentia a mesa em minhas costas e a barra de ferro frio na palma de minhas mãos. Aquele era meu prazer, aquilo era minha vida. Eu queria crescer mais e mais, não para ficar atraente, bonito, másculo ou viril, eu queria crescer para agüentar mais peso, para aperfeiçoar minha capacidade. Foi então que experimentei um ou dois tipos de anabolizantes, e isso não resultou em nada, não ganhei um quilo sequer. Sabe por quê? Por que desviei meu foco. Porque passei a valorizar meu corpo e acreditei que apenas aquelas porcarias me deixariam mais forte, porque fui um estúpido e relaxei acreditando que com aquilo, não seriam necessários tantos esforços. Errei! Mas tenho honra, dignidade e sensatez para admitir o erro e corrigi-lo. Sim, as doses foram bem poucas, creio que nem foram suficientes para surtir algum efeito, mas eu não quis continuar nesse caminho fútil. Lembrei das origens, lembrei que treino não é treino sem um parceiro e encontrei o parceiro ideal. Foi então que voltei a crescer, que voltei a me superar, que quebrei todos os meus tabus, 175kg no supino, 215kg no agachamento, esse tipo de coisa. Mas não estou aqui para contar vantagem, meu treinamento não é para ser objeto de atenção como muitos pensam. E é justamente aí que estão as diferenças.

MEU JEITO
Camisa rasgada, pés descalços, bermuda curta, cara feia, gemidos e até gritos. Isso sou eu treinando. Ou melhor, era eu! Cortaram minhas asas.
Academia pra mim é “sentidos”, os cinco sentidos e mais o sexto, que é mental. Quanto mais contato com o ambiente, melhor. Os pés descalços me dão firmeza, diferente do que me daria um “Nike Shox” ou similares que os frangos costumam usar porque o ortopedista indicou! Diferente do Olympicus tube que fica bonito no pé para chamar atenção das “gostosinhas” que estão na esteira! Eu gosto mesmo é de treinar descalço, sentir cada centímetro do chão que toca meus pés, testar meu tato, saborear o chão com o solado dos meus pés, ter a aderência que nenhum tênis me daria. É algo instintivo, os primatas caçam descalços, isso da firmeza, segurança nas passadas.
Mas, como eu disse, eles costumam me julgar usando suas cabeças como referencial. Não, como acabei de explicar, não treino descalço para aparecer, não treino descalço para que vejam como meus pés são lindos, nada disso, meus pés são horríveis e até parecem pés de algum bicho odiado. Não treino descalço para que olhem para mim. Quem pensa tamanha besteira são os que gostam de aparecer, os que vão no meu mundo (A academia) para mostrarem bracinhos modelados por suplementos ou anabolizantes para as fêmeas que desfilam nas esteiras. Coisa de gente que entra no meu mundo para fazer amiguinhos de balada.
Minha camiseta é rasgada sim, não para que me olhem, mas para que sintam nojo de mim e desviem o olhar. Isso é bom para os franguinhos que vão treinar bonitinhos, elas olham para vocês, portanto, ao invés de me criticar, agradeçam. Com minhas roupas rasgadas vocês acabam conseguindo o objetivo de vocês: “Atrair a atenção das garotinhas!”. Minha camisa é rasgada para dissipar o calor emanado do meu corpo. Para sentir o pouco vento que o clima abafado da academia proporciona, para que meus poros possam respirar mais e transpirar menos. Mas o motivo principal é o primeiro que citei: Para que os olhares fujam de mim!
Camisa rasgada e bermuda curta combinam bastante, ambos me permitem ver os músculos trabalhando, sejam os da parte superior ou inferior.esse tbm é um dos motivos das roupas rasgadas, ou curtas... Elas nos permitem ter plena perspectiva da maneira com que nosso corpo está trabalhando!
Faço cara feia, fico vermelho, roxo, gosto de olhar em meus olhos no espelho antes de cada série. Quando vejo que não tenho mais forças, grito sim, porque eu gosto de ultrapassar meus limites, meu grito é de dor para dar forças, não grito para que me olhem, grito para que o peso não caia em minha cara!

CORTARAM MINHAS ASAS
Sei que ando sendo duramente criticado por esse meu jeito de treinar, por levar os treinos a sério. Isso não me abala em nada. Não preciso que entendam meus motivos, claro, o único que deve entender meus motivos é o Evandro, meu parceiro de treino. Não faço questão da compreensão de minha mãe, meu pai, meus amigos, minha namorada ou mesmo dos frangos da academia que se acham fortes... Sei que eles não me entendem, sei que eles não tem idéia do que é treinar a mente dentro da academia, nenhum desses que eu citei. Eles não me compreendem. Foda-se!
Treino pelado? Pura ilusão de quem vê. Treino apenas com o necessário e quem vai bonitinho com roupinha passada acaba me criticando, foi assim que fui indagado: “Ow, soube que você ta treinando pelado!”... Tive que rir. Depois veio outra: “Estão dizendo que você e o Evandro ficam querendo se aparecer na academia!”... “Disseram que vocês ficam gritando na academia para aparecer!”...
Preciso dizer que ri? Preciso dizer que senti repúdio por pessoas que mal compreendem o que é um grito de incentivo quando se está fazendo a ultima repetição de uma rosca direta?
Mas sim, ao contrário deles, eu respeito as outras pessoas e ao invés de sair por aí espalhando anedotas sobre a forma ridícula com que treinam, preferi me calçar. Sim, me CALÇAR! Muita gente veio me dar indireta dizendo que se uma anilha caísse em meus pés, poderiam arrancar um dedo ou machucar feio... Agora estou usando uma merda de botina para treinar... To me sentindo tão bem quanto descalço, a botina tem bico duro e também me dá estabilidade. Só estou esperando quem será o próximo a comentar: “O Railson chega ao ridículo para se aparecer, treinar de bota!” ...Jamais me entenderão. E sabe o que jamais entenderei? Por que eles não chegam em mim e dizem isso?










Abraços... e...











Vai tomar no cu Sempre!
(Perdão por não terminar tudo o que eu quis escrever, mas tem coisa que me tira do sério!)

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